Numa gleba de terra produtiva estavam convivendo, há muito tempo, o espinheiro e a figueira. Ambos estavam crescidos e com folhagem vistosa. O espinheiro, porém, não tinha frutos; a figueira estava carregada de produções.
As oportunidades eram iguais, uma vez que o adubo forrara todas as plantações, e as chuvas desciam sobre toda a área cultivada. Desde o nascimento desfrutavam, igualmente, dos raios do sol.
A diferença estava na natureza de cada um deles. O espinheiro não tinha nenhuma vontade de melhorar seu visual e nem seus “modos”. Os comentários de que ele era improdutivo, perigoso e inútil não o incomodavam. A auto-estima dele era zero.
A figueira, por sua vez, se cuidava. Esforçava-se para cumprir com sua missão de alimentar seus visitantes. Não queria ser apanhada de “mãos vazias” em nenhuma ocasião. Ninguém tinha medo dela.
Assim é que a figueira sempre foi mais visitada e admirada; o espinheiro, desprezado e enxovalhado. Até mesmo os pais recomendavam aos seus filhos terem cuidado com o espinheiro e permanecer distante dele.
A vida é um dom maravilhoso. As bênçãos da natureza cercam os viventes. Eles são separados pela natureza que apresentam. Isso é justo. O respeito com todas as pessoas é dever geral, mas as conquistas de quem tem frutos são incomparavelmente maiores.
O sorriso e a dignidade são as molas dos carismáticos; a indiferença e a grosseria, as bases dos fracassados. A roupagem engomada e os títulos possuídos não são suficientes para matar os espinhos dos improdutivos.
É impossível à figueira agredir ou ferir alguém; ela, além de não ter espinhos, está em atividade valiosa – produzindo frutos. Jamais o agricultor permitirá que ela seja ofendida, mas zelada. Quanto ao espinheiro, a maioria já sentenciou sua derrubada.
O tempo revela a verdadeira identidade das pessoas. Viver com paciência e produzir boas obras é a melhor receita.
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