Um criador de abelhas e produtor de mel programou uma solenidade entre seus mais íntimos amigos na festividade de final de ano. Queria brindar seu progresso com eles e compartilhar sua alegria pela pronta ajuda deles em todos os momentos decisivos de sua empreitada.
O banquete teria amostras de mel em várias “misturas e pitadas” de sabores e compostos de ingredientes novos. Seria algo inédito. Ele estava certo de que suas produções seriam aceitas por inúmeros distribuidores doravante.
Pois bem. Havia um clima de suspense no ar. O segredo dos discursos e as teses apresentadas sobre as criadoras do mel, as abelhas, e o melhor tratamento e cuidado delas seriam debatidos por especialistas do ramo.
Queijos, vinhos, mel, e outros comestíveis estavam sobre a mesa cheia de pratarias de porcelana. Apetrechos para alimentação e taças de licores enfeitavam a mesa central. Era uma reunião própria de reis e rainhas do passado.
Um garrafão colorido de mel estava no centro da mesa. Era o destaque a ser mostrado e experimentado por todos os convivas amigos do apicultor. Era sua seleção principal. Fora preparado com toda originalidade por “mestres” da apicultura.
Ao se assentarem à mesa – o amigo mais chegado do dono da casa se apressou e sentou-se em lugar reservado para um visitante ilustre de outra região. Ao oferecer a liberdade e iniciar a degustação do mel – o mesmo amigo tomou o garrafão principal e bebeu todo o mel contido ali.
Estupefatos, os demais presentes abaixavam a cabeça e olhares desencontrados perpassavam entre os participantes da festa. Foi um caos. O amigo não soube conter-se. Ninguém pôde provar do mel.
O apicultor pediu suas desculpas aos convivas e prometeu convidá-los para outra oportunidade. Os amigos se despediram e se foram. O bebedor do mel saiu sem receber nem sequer um aperto de mão.
O próximo encontro ocorrido foi um sucesso, e todos puderam compartilhar do mel principal, pois o inoportuno não estava presente. O mais difícil é crer que aquele homem era possuidor de formação acadêmica e possuía títulos de nobreza.
Mais vale uma moeda de bom senso do que um “Oscar” de notoriedade!
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